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Posicionamento do Todos Pela Educação sobre o homeschooling (educação domiciliar)

O Todos Pela Educação é contrário à regulamentação ampla da educação domiciliar no Brasil

A educação domiciliar, conhecida pelo termo em inglês homeschooling, é a prática em que famílias assumem diretamente a responsabilidade pela educação formal de crianças e adolescentes, em substituição à matrícula e à frequência regular em escolas. Em geral, a instrução é conduzida pelos próprios pais ou por um tutor contratado pela família, seguindo ou não um currículo estruturado.

Ideias em debate

1. A educação domiciliar pode substituir o papel da escola no desenvolvimento integral da criança?
2. A educação domiciliar fragiliza a rede de proteção da infância e adolescência?
3. Há evidências de que o homeschooling produz melhores resultados do que a escola regular?
4. O homeschooling pode ampliar desigualdades educacionais?
5. Caso regulamentada, a escolha pela educação domiciliar deveria ser decidida apenas por discricionariedade dos pais ou responsáveis?
Aqui, respondemos todas esta perguntas: leia o nosso posicionamento completo sobre o tema

Histórico do debate

Essa proposta vem sendo discutida no Brasil há algumas décadas, sobretudo por meio de projetos de lei no Congresso Nacional, sem que nenhum avançasse, em parte porque a legislação brasileira aponta na direção oposta. A Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) convergem ao estabelecer que a matrícula escolar é dever dos pais ou responsáveis e que a frequência à escola é direito da criança.

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário nº 888.815 e decidiu que a educação domiciliar não é inconstitucional, mas que só pode ser adotada se houver uma lei federal que estabeleça suas regras. Em 2025, o STF reforçou esse entendimento ao declarar inconstitucional uma iniciativa do Distrito Federal que autorizava o ensino domiciliar.

Nesse contexto, o Projeto de Lei nº 1.338/2022, atualmente em tramitação no Senado Federal, é hoje a principal iniciativa legislativa para regulamentar a educação domiciliar no Brasil. A proposta busca alterar a LDB e o ECA para autorizar a prática e estabelece condições para sua oferta pelas famílias, entre as quais: a formalização da opção; a comprovação de escolaridade superior ou técnica de ao menos um dos pais ou do preceptor; a matrícula anual do estudante em instituição credenciada, com acompanhamento de tutor; o cumprimento da BNCC; o envio de relatórios trimestrais; e a participação dos estudantes em avaliações. O texto prevê ainda situações de perda do direito à educação domiciliar.

LEIA O POSICIONAMENTO COMPLETO AQUI

Embora esse seja um tema que divide opiniões no debate público e na classe política, sua regulamentação traz riscos relevantes. A obrigatoriedade escolar dos 4 aos 17 anos, garantida pela Constituição Federal de 1988, é uma conquista democrática que levou décadas para ser consolidada. Autorizar a educação domiciliar como alternativa regular à escola pode fragilizar esse avanço, com impactos diretos sobre o direito à educação e à proteção de crianças e adolescentes.

O que o Todos pensa

O Todos Pela Educação é contrário à regulamentação ampla da educação domiciliar no Brasil. A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 205, que a educação deve visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao preparo para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho. A educação domiciliar não é capaz de assegurar plenamente esses objetivos. Ao restringir o convívio cotidiano de crianças e adolescentes a um círculo familiar mais limitado, a modalidade reduz oportunidades de contato com diferentes realidades, ideias, valores e visões de mundo, enfraquecendo dimensões essenciais da formação escolar, como o respeito às diferenças e o desenvolvimento social e emocional.

A escola não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos: é um ambiente insubstituível de aprendizagem que garante também alimentação de qualidade, proteção social e oportunidades de desenvolvimento de outras habilidades. Portanto, não é passível de substituição por um ensino domiciliar.

Além das questões relativas à formação de crianças e adolescentes, há outro imperativo: o melhor uso dos recursos públicos e do esforço governamental. Em um país que ainda enfrenta baixos níveis de aprendizagem, desigualdades educacionais persistentes e desafios de permanência e trajetória escolar, direcionar recursos financeiros, técnicos e de gestão para regulamentar e acompanhar uma modalidade de alcance restrito significa deslocar atenção de prioridades mais urgentes.

Caso o tema avance no debate legislativo, na visão do Todos Pela Educação, sua regulamentação deve ser restrita a situações excepcionais, devidamente justificadas e acompanhadas pelo poder público, em que esteja comprovada a impossibilidade real de frequência regular à escola. Desta forma, a educação domiciliar não deve ser tratada como alternativa regular à escolarização presencial.

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