Tempo de leitura: 4 minutos

Estudantes de escolas públicas querem ensino e aprendizagem melhores como prioridade dos próximos governos, mostra pesquisa

Desempenho do professor é central para melhor percepção dos alunos sobre a escola; 75% dos que consideram boa a explicação dos conteúdos pelos professores também avaliam a escola como boa ou ótima.

Pelo menos 1⁄4 dos estudantes brasileiros do Ensino Médio da rede estadual afirmam de forma espontânea em pesquisa realizada em grandes centros, que melhorias relacionadas ao ensino e aprendizagem são a principal expectativa que carregam para as escolas públicas em relação aos governos que se iniciam em 2027. A qualidade do ensino, para esse grupo, está diretamente conectada à atuação do professor, uma vez que são observadas necessidades de mudanças que impactem em “aulas diferentes”, “dinâmicas em salas de aula”, “capacitação de professores” e “menos falta dos professores”, entre outros aspectos.

A Pesquisa de Opinião “O que os estudantes pensam sobre a Educação?” foi realizada pelo Instituto DataFolha a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação. O levantamento foi realizado com 5.296 alunos do Ensino Médio e do Ensino Fundamental II, nas cinco regiões do país, e investigou a percepção sobre temas como aprendizagem, atuação dos professores, educação profissional, uso de tecnologia, educação em tempo integral e possibilidades de escolha de itinerários no Ensino Médio.

Os professores e a estrutura da escola são elementos-chave para compreender o que os estudantes entre 12 e 21 anos visualizam quando pensam em uma escola melhor, ou em melhorias em relação ao que vivenciam no cotidiano escolar atualmente. Dados do levantamento indicam que a percepção dos estudantes sobre a forma como os professores explicam os conteúdos está associada à avaliação que fazem da escola. Entre os que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Já entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.

“Os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola. É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem. O momento de eleições e início de novos mandatos traz uma oportunidade ímpar para se rever caminhos e repactuar compromissos, e o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional”, afirma Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.

 

O que os estudantes esperam do próximo governador para as escolas públicas?

Fonte: Datafolha – Pesquisa “O que os estudantes pensam sobre a Educação?”

Há diferenças importantes a serem observadas quando se isolam os dados relacionados a alunos de Ensino Fundamental II e a alunos de Ensino Médio. Ainda em relação aos professores, no Fundamental II, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas enquanto no Ensino Médio esse número cai para 69%. A ausência de professores em disciplinas parece ser um problema mais comum também no Ensino Médio, onde 66% concordam totalmente ou em parte que “tem disciplinas que ficam um tempo sem ter professor”. No Fundamental II, são 61% os que afirmam o mesmo.

Educação profissional é valorizada e tecnologia já está na rotina

A pesquisa mostra também que os estudantes valorizam a possibilidade de ampliar suas experiências e perspectivas de formação durante o Ensino Médio. Mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa da educação. O dado contrasta com o alcance atual da Educação Profissional e Tecnológica: de acordo com o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do Ensino Médio estão matriculados na EPT. Em campanhas, candidatos e candidatas a governos estaduais têm destacado a centralidade do tema para a educação, reconhecendo a necessidade de mais investimentos para garantir maior aderência e alcance da EPT.

No campo das habilidades e dos recursos aplicados em sala de aula que se relacionam também à perspectiva de futuro dos estudantes, a tecnologia é percebida como presente na rotina escolar: 70% dos estudantes afirmam que os professores utilizam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana. A inteligência artificial aparece entre as ferramentas utilizadas pelos próprios jovens: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes para estudar. Ao mesmo tempo, cerca de um em cada três estudantes discorda de que seus professores estejam bem preparados para utilizar tecnologia em sala de aula.

Tempo integral: 74% avaliam a escola como boa ou ótima

Um dos temas centrais no debate sobre educação de qualidade e que ocupa destaque no Plano Nacional de Educação 2026-2036, a educação integral é uma dimensão do levantamento. Entre os estudantes que estão nessa modalidade, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular. A diferença aparece nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Entre os benefícios associados pelos estudantes ao tempo integral estão mais tempo para aprender, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e Enem. Entre os estudantes do Ensino Médio que afirmam que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade para garantir remuneração.

A possibilidade de escolher uma área de aprofundamento ou um itinerário formativo também está relacionada à avaliação dos próprios itinerários. No Ensino Médio, a pesquisa identifica diferença expressiva na avaliação da qualidade dos itinerários de acordo com a chance de escolha de uma trajetória alinhada aos interesses dos estudantes. Entre aqueles que afirmam ter conseguido escolher plenamente uma trajetória alinhada aos seus interesses, 90% avaliam a qualidade do itinerário como boa ou ótima. Entre os que tiveram pouca ou nenhuma possibilidade de escolha, o percentual é de 43%. Os dados aparecem no contexto das mudanças recentes no Ensino Médio e da ampliação do cenário de possibilidades e aprofundamento da formação dos estudantes.

 

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR A PESQUISA NA ÍNTEGRA

 

Veja também

Quer receber uma newsletter mensal que traz os destaques do Todos Pela Educação? Preencha os dados e receba a “Todos em Dia".

    Quero receber e-mails informativos

    1

    Li e concordo com a política de privacidade e proteção de dados do Todos Pela Educação

    1