Já está no ar o Anuário da Educação Básica 2026. A publicação, elaborada pelo Todos Pela Educação em parceria com a Fundação Santillana e Editora Moderna, chega à 13ª edição com uma seleção de dados e séries históricas da Educação Básica no Brasil, em 26 estados e no Distrito Federal.
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Números sobre acesso, aprendizagem, infraestrutura, gestão escolar, gestão dos sistemas educacionais, educação inclusiva e equidade étnico-racial estão organizados em gráficos e tabelas, navegáveis e disponíveis para download na versão digital.
Desta vez, a publicação traz ainda um infográfico especial com indicadores comparativos dos anos de 2005 e 2025. A partir do material, é possível observar as principais transformações da educação básica, especialmente o acesso à escola e trajetória dos estudantes nas últimas duas décadas.
“O Anuário Brasileiro da Educação Básica é uma importante ferramenta de monitoramento e diagnóstico da nossa educação. O material organiza, em um só espaço, dados referendados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), Ministério da Educação (MEC) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste período de eleições, cumpre o papel de acompanhar a evolução dos indicadores, comparar resultados entre unidades federativas e regiões e qualificar o debate público com evidências”, afirma Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana.
Destaques do Anuário da Educação Básica 2026
Professores
Entre os ingressantes em cursos de licenciatura com notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apenas 14,7% estavam entre os 20% de melhor desempenho na prova de 2024. Na comparação, no curso de Direito, os ingressantes de maiores médias eram 32,6%, e, em Medicina, somavam 81,2%. Além das dificuldades da atratividade da carreira docente, o Anuário mostra desafios também na formação inicial dos professores. Em 2025, apenas 20,2% dos concluintes dos cursos de licenciatura avaliados atingiram o nível adequado, enquanto 42,2% ficaram abaixo do nível básico no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A situação é ainda mais preocupante entre os estudantes de cursos a distância: 53,1% ficaram abaixo do nível básico, contra 26,1% na modalidade presencial.
“Os dados apresentados no Anuário mostram que o Brasil ainda não conseguiu consolidar aquilo que caracteriza os melhores sistemas educacionais no mundo: políticas docentes capazes de atrair estudantes de alto desempenho para a carreira, oferecer uma formação inicial que prepare efetivamente para o exercício da docência e garantir remuneração e carreiras capazes de desenvolver, valorizar e reter bons professores ao longo do tempo”, explica Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação.
Acesso e desigualdades na Educação Infantil
Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 43,3% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas na Educação Infantil. O novo patamar representa um avanço de 2,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior (2024) e de 12,7 p.p. em relação a 2015. O atendimento de crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1%. Embora ainda não universalizado, o acesso nessa faixa etária obrigatória ficou perto da meta do Plano Nacional de Educação e alcançou o maior resultado da série histórica. Apesar do avanço, os dados trazidos pelo Anuário reforçam um desafio que demanda alerta: as desigualdades começam muito cedo no país. O atendimento de 0 a 3 anos é de apenas de 34,7% entre os mais pobres contra 54,7% entre os mais ricos.
Desigualdades étnico-raciais na trajetória dos estudantes
A desigualdade se perpetua também nos recortes étnico-raciais. Em 2025, enquanto 92,1% dos jovens brancos e amarelos já haviam concluído o Ensino Fundamental aos 16 anos de idade, somente 86,3% dos pretos, pardos e indígenas conseguiram finalizar a mesma etapa. No Ensino Médio, a diferença é ainda maior. No mesmo período, 81,7% dos jovens brancos e amarelos haviam obtido o diploma de conclusão aos 19 anos de idade. Entre pretos, pardos e indígenas o número cai para 69,5%;
Aprendizagem
Entre os indicadores de aprendizagem, o Anuário já inclui os resultados da edição 2025 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgados pelo Inep, em agosto. Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, por exemplo, os dados mostram que 11% dos alunos do 5º ano da rede pública estavam no nível abaixo do básico em Língua Portuguesa e 16,9%, em Matemática. Já nos Anos Finais do Ensino Fundamental, apenas 18,8% dos jovens do 9º ano do Ensino Fundamental da rede pública tinham aprendizagem adequada em Matemática, enquanto, em Língua Portuguesa, o percentual era de 38,3%. No Ensino Médio, apenas 8,5% dos jovens da rede pública apresentavam aprendizagem adequada em Matemática, enquanto em Língua Portuguesa esse percentual era de 35,2%.
Acesso à Educação Profissional e Tecnológica (EPT)
Outro destaque do Anuário é a evolução das matrículas da Educação Profissional e Tecnológica (EPT). No nível médio, as matrículas mais que dobraram em dez anos – de 764 mil, em 2015, para 1,58 milhão, em 2025. Só no último ano, houve um aumento recorde de 244 mil matrículas. Os eixos de Gestão e Negócios (499 mil alunos) e Informação e Comunicação (362 mil) somaram, em 2025, mais da metade das vagas da EPT de nível médio no Brasil.
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