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PNE aprovado no Congresso Nacional: análise do Todos Pela Educação

Na visão do Todos Pela Educação, o novo PNE tem alta capacidade de orientar avanços significativos na educação brasileira ao longo da próxima década.
Sala de aula com crianças com as mãos levantadas. Ao fundo, professora na frente da lousa.

O Senado Federal aprovou em março o Projeto de Lei nº 2.614/2024, que institui o novo Plano Nacional de Educação (PNE). O Projeto foi sancionado pelo presidente Lula em 14 de abril. A aprovação representa um marco fundamental para a educação brasileira e um importante legado desta legislatura do Congresso Nacional. 

O novo Plano apresenta avanços importantes em relação ao PNE anterior, que serão destacados a seguir. Na visão do Todos Pela Educação, o novo PNE tem alta capacidade de orientar avanços significativos na educação brasileira ao longo da próxima década. 

 

LEIA A ANÁLISE NA ÍNTEGRA

 

Destaques do Projeto de Lei aprovado

1) Maior ênfase na qualidade educacional

O texto para o novo PNE aprofunda o foco na qualidade educacional, que vinha do Projeto de Lei original apresentado pelo Governo Federal. As metas do PNE referentes aos indicadores de acesso, trajetória escolar e aprendizagem são bastante ambiciosas e, no geral, factíveis dado o atual patamar da educação brasileira.

2) Fortalecimento da equidade como princípio estruturante do plano. 

O Plano também avança ao posicionar a equidade como eixo central da política educacional, incorporando metas específicas voltadas à redução das desigualdades entre grupos sociais, raciais e regionais em diferentes dimensões. 

O novo PNE também inova ao trazer objetivos e metas para acesso, qualidade da oferta e permanência dos públicos das diversas modalidades de ensino. Elas incluem a Educação Escolar Indígena (EEI), Educação do Campo e a Educação Escolar Quilombola (EEQ) (Objetivo 9), a Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e Educação Bilíngue de Surdos (Objetivo 10) e a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) (Objetivo 11). Em termos comparativos, metas específicas sobre a ampliação da oferta nas modalidades de EEI, EEQ e Educação Bilíngue de Surdos não existiam no PNE 2014-2025. Ao longo da tramitação, as temáticas de Educação do campo, Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e EJAI também se tornaram mais robustas, com maior clareza sobre as metas e estratégias propostas.

3) Instrumentos de implementação e monitoramento do PNE. 

O novo PNE avança ao incorporar mecanismos que fortalecem sua capacidade de implementação, monitoramento e coordenação federativa, aproximando o Plano da realidade das redes de ensino e ampliando seu potencial de indução de políticas públicas. 

Passo fundamental para a educação brasileira

A aprovação do novo PNE representa um passo fundamental para a orientação  das políticas educacionais brasileiras na próxima década. O Plano traz metas importantes, ambiciosas, que poderão nortear os rumos da educação brasileira até 2035.

Vale mencionar que havia ainda aprimoramentos possíveis que poderiam qualificar ainda mais o PNE, relacionados em especial à calibração das metas de aprendizagem, ao alinhamento dos Planos de Ações Educacionais aos ciclos políticos e ao fortalecimento da agenda de atratividade da carreira docente. No Senado, a designação da relatoria levou mais tempo do que o esperado, o que acabou limitando o aprofundamento de algumas discussões, apesar da realização prévia de audiências públicas. Ao final, com o objetivo de assegurar a aprovação do PNE ainda em 2026, o texto foi aprovado sem alterações de mérito em relação à versão da Câmara.

Após a sanção do Plano pelo Presidente da República, inicia-se o desafio mais decisivo: torná-lo realidade. A efetividade do novo PNE dependerá, sobretudo, do compromisso político e da formulação, implementação e sustentação de políticas educacionais estruturantes que apontem na direção do cumprimento de suas metas. 

Nesse processo, um monitoramento contínuo, qualificado e público do Plano será determinante, e deve envolver diversos públicos, como o poder público, a sociedade civil, a imprensa e as instâncias de controle. Cabe ao próprio governo viabilizar e instrumentalizar esse monitoramento, com indicadores claros, ampla transparência e rotinas regulares de prestação de contas. 

O Todos Pela Educação reafirma seu compromisso de contribuir para esse monitoramento sistemático, produzindo análises independentes, fortalecendo o debate público e apoiando o poder público nas políticas educacionais necessárias para que o país avance, de forma consistente, na direção das metas estabelecidas.

 

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