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Educação influencia o voto de 71% dos brasileiros, aponta pesquisa

Dado faz parte da pesquisa nacional “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação.

Levantamento realizado pelo Instituto IDEIA e encomendado pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação ouviu 20 mil pessoas nas 27 unidades da Federação e aponta valorização dos professores, alfabetização, ensino técnico e ensino integral entre as prioridades da população.

A atuação dos governos na Educação pode pesar nas urnas em 2026. Para 71% dos brasileiros, as ações do governo na área influenciam o voto e 83% defendem que a Educação esteja entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos.

Os dados fazem parte da pesquisa nacional “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação. O levantamento ouviu 20 mil brasileiros a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre maio e julho de 2026 e o nível de confiança foi de 95% para cada uma das 27 amostras coletadas. Os resultados mostram que a população reconhece a importância da educação e espera prioridade para o tema na agenda dos próximos governos. Na educação, os bons resultados são percebidos pela população e podem fazer diferença na hora do voto.

A pesquisa mostra que 45% dos brasileiros avaliam como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas de seus estados, mas essa percepção varia significativamente pelo país. Santa Catarina (60%) e Ceará (59%) registram as avaliações mais positivas. No outro extremo, Rio de Janeiro (31%), Rio Grande do Norte (36%) e Roraima (36%) apresentam os menores percentuais de avaliação positiva. Quando perguntados sobre a evolução recente, 49% dos brasileiros afirmam que a qualidade das escolas públicas de seus estados melhorou nos últimos quatro anos. O Nordeste apresenta a percepção mais positiva, com 56%, enquanto no Sudeste são 43%. Entre os estados, Alagoas (66%), Ceará (65%) e Sergipe (65%) registram as maiores proporções de pessoas que percebem melhora, enquanto São Paulo (33%), Rio de Janeiro (38%) e Distrito Federal (39%) apresentam os menores percentuais.

“A pesquisa mostra que a população parece perceber diferenças na qualidade da educação oferecida. Em geral, estados com melhores resultados educacionais recebem avaliações mais positivas, enquanto aqueles com desempenho mais baixo são avaliados de forma mais crítica. Chama atenção também a percepção em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, que, apesar de estarem no grupo dos mais ricos, não vêm apresentando avanços consistentes nos resultados educacionais e estão entre aqueles em que a avaliação sobre a evolução recente da educação é mais crítica. Isso sugere que o brasileiro está atento à qualidade da educação pública e que esse é um tema que também pesa politicamente, já que a maioria afirma considerar a atuação dos governos na educação na hora de votar”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor- executivo do Todos Pela Educação.

Melhorar os salários e condições de formação de professores aparece no topo das prioridades

Os dados mostram que a valorização dos profissionais da educação ocupa lugar central entre as medidas necessárias para melhorar a qualidade do ensino. Entre as prioridades para a educação nos próximos anos, 53% dos entrevistados apontam a melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores e 37% a melhoria da formação de professores. Essa centralidade dos professores também aparece quando a população é convidada a definir o que é uma escola de qualidade. Em uma pergunta aberta, cerca de 31% dos entrevistados mencionaram aspectos relacionados à qualidade do ensino ou à qualificação e ao comprometimento dos professores (as duas categorias mais citadas). A percepção está alinhada às evidências educacionais, que apontam os professores como o fator escolar mais importante para a aprendizagem dos estudantes. Os resultados reforçam, portanto, a importância de políticas de valorização, formação e desenvolvimento profissional docente nas agendas das próximas gestões.

Alfabetização e ensino técnico estão entre as principais demandas da população

Alfabetização e ensino técnico também aparecem com força entre as prioridades apontadas pela população para os próximos governos. Na lista de prioridades para a educação nos próximos anos, 48% citam a ampliação dos cursos técnicos e 47% a alfabetização das crianças até o final do 2º ano dos Anos Iniciais.

O apoio é ainda maior quando as duas agendas são avaliadas individualmente: 83% defendem que a alfabetização seja prioridade dos candidatos nas próximas eleições e 80% apoiam a ampliação do ensino técnico para gerar mais oportunidades aos jovens.

Ao mesmo tempo, a população reconhece desafios importantes nas duas áreas. Apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, enquanto 27% consideram que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho. Os resultados revelam, assim, duas agendas que a população considera prioritárias e nas quais também percebe espaço importante para avanços nos próximos anos.

Ensino em Tempo integral: a percepção varia conforme a classe social e o nível de informação sobre a política

O ensino em tempo integral também aparece na pesquisa. 71% dos brasileiros já ouviram falar de escolas públicas em tempo integral. Apesar disso, somente 38% afirmam estar bem informados sobre a política, o que indica um desconhecimento da população em relação à proposta do modelo.

Nesse contexto, os dados revelam uma associação consistente entre o nível de informação e a percepção da população sobre o ensino em tempo integral. Entre as pessoas que já ouviram falar sobre a política, 52% matricularam ou já têm os filhos matriculados em uma escola pública de tempo integral, contra 33% entre quem não ouviu falar.

Essa percepção muda significativamente entre os níveis socioeconômicos. A disposição para matricular os filhos em escolas de tempo integral é maior entre as classes C (51%) e D/E (49%), contra 31% nas classes A/B. Sobre a qualidade, 53% dos que já ouviram falar do modelo consideram que os estudantes recebem uma educação de melhor qualidade no ensino integral.

Quando perguntados sobre como deveria ser uma boa escola em tempo integral, 43% apontam um modelo em que os alunos passam mais tempo em atividades diversificadas, como projeto de vida e esporte. Os resultados indicam que, para a população, educação em tempo integral não significa apenas ampliar o número de horas na escola, mas sim oferecer uma formação mais intencional.

No curto prazo, a população reconhece diferentes benefícios do ensino em tempo integral para os estudantes e suas famílias. Entre os mais citados, 40% apontam a redução do tempo de tela em casa e 39% a maior aprendizagem dos alunos. O modelo também é associado a benefícios para a proteção e a rotina das famílias: 54% afirmam que permite que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade e 52% que contribui para prevenir a exposição dos jovens ao recrutamento por facções e grupos criminosos.

No longo prazo, os benefícios percebidos estão principalmente associados à continuidade dos estudos e à inserção profissional: 57% acreditam que o ensino integral prepara melhor os estudantes para o Ensino Superior e 55% consideram que o modelo oferece uma preparação melhor para o mercado de trabalho.

‘’Em conjunto, os resultados mostram que a população brasileira demanda avanços na educação, reconhece diferenças na qualidade das escolas públicas entre os estados e aponta prioridades claras para os próximos anos. A valorização e a formação dos professores, a melhoria da alfabetização e a ampliação do ensino técnico aparecem com força entre essas prioridades. O ensino integral também se destaca como uma agenda relevante, especialmente entre as famílias de menor renda, que demonstram maior disposição para matricular seus filhos no modelo. Os caminhos apontados pela população são claros e precisam ser considerados pelos próximos governantes. O desafio será transformar essas prioridades em políticas capazes de enfrentar os problemas que ainda persistem e garantir que a Educação Básica brasileira siga avançando, com mais qualidade e oportunidades para todos os estudantes”, completa Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação.”

 

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