Em meio à preparação das candidaturas para as eleições, o Todos Pela Educação apresenta propostas técnicas que devem ser consideradas centrais pelo próximo ciclo do governo federal para avançar na qualidade da educação. O material foi divulgado nesta terça-feira (14), em evento que marca o lançamento da iniciativa Educação Já nas Eleições 2026. O documento Dois Movimentos, Uma Só Agenda reúne contribuições de 60 nomes — entre especialistas, gestores públicos e parlamentares com diferentes visões e vinculações políticas, incluindo ex-ministros da Educação — além de 20 organizações da sociedade civil, e busca qualificar o debate público e orientar a formulação de propostas das campanhas.
O material aponta que, apesar de avanços recentes, especialmente no acesso e na trajetória escolar, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais, com baixos níveis de aprendizagem e desigualdades persistentes. Diante desse cenário, o documento propõe uma nova agenda sistêmica para a Educação Básica, com políticas articuladas e foco absoluto na aprendizagem e no desenvolvimento integral dos estudantes.
VEJA O DOCUMENTO COMPLETO AQUI
A proposta combina dois movimentos: dar continuidade a políticas que já apontam na direção correta, como a política nacional de alfabetização, e, ao mesmo tempo, promover mudanças estruturais em áreas que ainda limitam o avanço educacional e incorporar inovações à altura dos desafios contemporâneos. Neste último sentido, uma das principais novidades desta terceira edição do Educação Já é a defesa de que temas “externos” à escola, como a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos e o enfrentamento dos impactos da crise climática no cotidiano das redes de ensino, passem a integrar a agenda educacional do país.
No campo da política pública educacional, para os próximos quatro anos, o texto propõe 4 grandes prioridades para o Ministério da Educação:
- Políticas docentes (com foco na formação inicial): dar centralidade à formação de professores, apontada como um dos principais desafios da área, com mudanças na regulação, avaliação e financiamento dos cursos de licenciatura, além de ações para atrair e preparar melhor os futuros docentes;
- Recomposição das aprendizagens: turbinar a atual política nacional voltada ao tema de modo a reduzir defasagens severas e reduzir o contingente de estudantes abaixo do nível básico de desempenho;
- Reestruturação das avaliações nacionais: modernizar o sistema de avaliação dos estudantes para incentivar aprendizagens mais significativas e melhor orientar o trabalho pedagógico das redes de ensino;
- Educação em tempo integral: ampliar a jornada escolar como condição para o desenvolvimento integral dos estudantes, com uma nova política nacional mais estruturada, financiamento adequado e foco em redes mais vulneráveis.
O próximo ciclo de governo coincidirá com o início da vigência do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para a próxima década. Nesse contexto, as decisões tomadas entre 2027 e 2030 serão determinantes para o avanço da qualidade da educação no país.
“O Brasil reúne hoje condições reais de dar um salto na qualidade da educação, mas isso depende das decisões e prioridades de quem estiver à frente do país. O sucesso da agenda educacional da próxima década dependerá menos da multiplicação de novas políticas e mais da capacidade do país de implementá-las com qualidade, consistência, continuidade e escala.”, observa Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.
A iniciativa integra uma série de ações do Todos Pela Educação voltadas a qualificar o debate público nas eleições presidenciais e apoiar a construção de propostas educacionais alinhadas aos principais desafios do país.
