Diálogos com Todos é uma editoria das mídias sociais e site do Todos Pela Educação que fomenta conversas e expande olhares a partir de perspectivas de parceiros / especialistas / profissionais da educação sobre temáticas diversas em correlação com o nosso advocacy pela Educação Básica Pública.
Nesta edição do “Diálogos com Todos”, conversamos com Elisa Veeck, jornalista, ganhadora do Troféu Mulher Imprensa 2017 – âncora de telejornal, atualmente é âncora na CNN Brasil. Elisa é uma defensora da educação pública e falou conosco sobre o papel da imprensa na priorização da Educação Básica enquanto pauta no debate das Eleições 2026 e como a cobertura jornalística pode elevar o protagonismo da escola pública nas entrevistas, debates e sabatinas eleitorais. Confira abaixo.
1) Historicamente, a educação não é protagonista do debate eleitoral brasileiro. Mas se ela impacta diretamente toda a população, por que ainda ocupa tão pouco espaço nas grandes entrevistas, debates e sabatinas eleitorais? O que o jornalismo pode fazer para mudar isso?
Uma vez eu parei para ler os porquês das pessoas prestarem tanta atenção em tragédia e pouca atenção em coisas tão nobres como educação. Entendi que nós, seres humanos, temos uma luta genuína pela sobrevivência, então é importante ver “a tragédia que ocorreu com o outro” para evitar que “ocorra comigo”. É pura manutenção da espécie – ainda mais em um país violento. E os políticos sabem disso. Logo, vão falar só sobre o que os nossos ouvidos querem ouvir. Nossa missão é tentar fugir. E incomodar com outros temas. Educação é um deles.
2) Em ano eleitoral, a pauta da educação corre o risco de virar só embate político. Como a imprensa pode cobrar prioridade para o tema sem cair na armadilha da polarização ou do discurso raso de campanha?
A polarização é tipo um imã que vai te puxando para dentro. É muito triste perceber que o tema educação, em alguns debates, fica restrito à pauta de costumes, do tipo banheiro de menina e de menino. Muito triste, não é? Fugir disso é enormemente desafiador, ainda mais com a cobrança pelo clique. Acredito que a saída é perguntar algo com dados específicos, assim diminui a chance de fuga da resposta. Se for genérico, não tem jeito, é pauta de costume na certa.
3) Sabatinas, debates e entrevistas são momentos decisivos para analisar compromissos de candidatos e candidatas – seja no âmbito nacional ou no estadual. Que pergunta todos deveriam responder, com profundidade, além do genérico, quando o tema é Educação Básica pública?
“A senhora, o senhor, vai prestar atenção na emenda parlamentar destinada à educação mesmo sem ganhar um único centavo por isso?”. Olha o nível da pergunta que precisa ser feita. Chocante, né? O candidato vai responder algo lindo, mas a gente cobre o Congresso Nacional todo dia e sabe como funciona.
4) A cobertura política muitas vezes acompanha declarações, alianças e estratégias de campanha. Como a imprensa pode transformar dados de aprendizagem, desigualdades e implementação em histórias capazes de mobilizar eleitores e pressionar candidatos?
Para mim, a grande parada é ter muito prazer e vontade de entender de gente. Quando você enxerga o outro, quando tem empatia, quando ouve, você absorve as necessidades das pessoas. Com isso, seu olhar ganha um filtro que, na hora de ler um dado ou mesmo na hora de ouvir um entrevistado, você escuta algo e pensa “é isso! É isso que importa!”. Às vezes o simples, o básico, o genuíno, é o mais urgente a ser questionado, ainda mais que a educação faz parte da raiz da nossa vida.
5) Deixe uma mensagem para outros jornalistas e editores sobre a responsabilidade da imprensa com a educação pública neste momento eleitoral, colocando a pauta como agenda de futuro, democracia, desenvolvimento e redução de desigualdades.
Em tempos de redes sociais e cliques, todo mundo quer dizer “eu dei essa notícia primeiro”. Com isso, é muito fácil cair no fluxo do rame-rame da política e esquecer-se de coisas tão poderosas como a educação. Às vezes uma reportagem robusta com dados é mais importante do que a aspa do ministro. E ter esse critério social também é responsabilidade da imprensa.
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