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Semana da Consciência Negra: o que a Educação tem a ver com isso?

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Avançar na qualidade da Educação brasileira mudaria não apenas as histórias de meninos e meninas de todo o País, como o desenvolvimento da Nação por várias gerações. Mas um salto coletivo depende do impulso de todas as crianças e jovens brasileiros, e uns precisam de mais apoio que outros. Esse é o caso dos(as) estudantes pretos e pardos que vivenciam a sobreposição de exclusões durante suas trajetórias escolares, marcadas por menores oportunidades para aprender, o que impacta seus projetos de vida.

Por isso, pensar em Educação Já é fortalecer as referências negras na escola e no imaginário coletivo, dando visibilidades aos grandes expoentes na cultura e pensamento nacional e efetivando a Lei 10.639, de ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da Educação, como defende Kelly Quirino, jornalista e ativista para quem a Educação Pública foi essencial, mas atravessada por episódios de racismo.  “A consciência de uma pessoa negra geralmente acontece, se acontecer,  na fase adulta, após ela passar por muitos sofrimentos, de negação de negritude, cabelo, cor da pele. Uma Educação antirracista, que fale sobre a história afro-brasileira, contribui para, já nos primeiros anos de vida, mostrar que a população negra foi de extrema importância para acúmulo de desenvolvimento e riquezas no Brasil e no cenário cultural em relação às artes. Para os estudantes negros, uma Educação Básica antirracista traz autoestima e incentivo, e, para os brancos, consciência sobre racismo e seus impactos”, pondera.

++DESIGUALDADE RACIAL NO ENSINO: CONHEÇA OS DADOS SOBRE ESSE ASSUNTO

Na semana da Consciência Negra, o Todos Pela Educação reúne nomes de homens e mulheres expoentes negros que conquistaram espaços de destaque em seus campos de saber (veja abaixo) com o apoio da Educação, mas não sem obstáculos raciais, mostrando que oportunidades educacionais realmente equitativas exigem soluções afirmativas – políticas públicas educacionais que combatam o racismo e enfrentem o racismo estrutural. Do contrário, o potencial de milhares de crianças e jovens negros continuaram sendo subestimados e suas oportunidades, sufocadas. 

Conheça e divulgue essas personalidades negras, reflita sobre suas histórias e amplie o debate!

 

Kelly Quirino (39 anos), doutora em Comunicação e ativista

Paulista, Kelly Quirino é jornalista e doutora em comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e militante no movimento negro. Filha de pai alfaiate e mãe profissional doméstica, ela cursou a Educação Básica na rede pública e teve a trajetória acadêmica marcada pelas desigualdades, como muitas crianças e jovens negros. Para cursar uma universidade, contou com o apoio financeiro de amigos. Após vencer muitas barreiras socioeconômicas, mas também de gênero e raça, Kelly tem ido expandidos os espaços em que transita: foi pesquisadora na Universidade de Tulane (New Orleans EUA), e uma das Women’s Leadership da Columbia University em Nova York, em 2019. Usa os saberes acadêmicos e experiencias acumulados para engrossar a luta antirracista e, como pesquisadora e palestrante, dedica-se aos temas Relações Raciais, Gênero, Jornalismo e Comunicação. “Somos um País enorme, com muitas desigualdades sociais e somos um País racista, onde a população negra tem os piores indicadores socioeconômicos. Para a pessoa negra, a Educação é uma forma de ascensão social. Mas isso não basta. É cada vez mais é importante pensarmos uma Educação multdisciplinar e antirracista, pois é na escola onde vivemos os primeiros episódios de racismo. Aos seis anos de idade, nenhuma criança queria brincar comigo porque eu era negra, a mesma situação pela qual passa minha sobrinha hoje, 34 anos depois. Por isso é tão importante falarmos de uma Educação anti-racista, que fala sobre a história afro-brasileira e da África, que conscientize as pessoas que o racismo é um sistema de opressão contra as pessoas negras, e também conceitos como branquitude e negritude. Pensar o que uam consciênca branca gera e como isso as privilegia ”

Acompanhe o que Kelly pensa no instagram da comunicadora, aqui.

Enedina Marques (1913 -1981), primeira engenheira negra do Brasil


O Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão, em 1888. A violência seguinte foi tão grave quanto: ex-escravos e seus descendentes foram submetidos, sem qualquer política reparadora ou inclusiva, às margem da sociedade. Foi nesse cenário, que, em 1913, nasceu Enedina Marques, filha de ex-escravos que migraram do interior do Paraná para Curitiba, onde Enedina passou a adolescência fazendo trabalhos domésticos, mas sem desistir de aprender, sendo alfabetizada aos 12 anos. Formou-se como professora em 1931 e lecionou por três anos, mas tinha um grande sonho, ousado para a época, dada sua cor e gênero: ser engenheira civil. Após muitos obstáculos e quebras de paradigmas, ela conseguiu: em 1945, ela se formou em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e tornou-se, assim, a primeira mulher engenheira do Paraná e primeira engenheira negra do Brasil, sendo umas das mulheres pioneiras nessa área tradicionalmente masculina. Importantes expoentes de representatividade negra na área de Exatas, as mulheres negras ainda são exceções na área até os dias atuais. 

Conheça melhor a história dessa mulher que marcou a história aqui.

Milton Santos (1926-2001), doutor em Geografia e referência internacional nos estudos da área

Nascido na Chapada Diamantina (BA), Milton Santos é um dos mais famosos pensadores brasileiros de ciências humanas no mundo. Vindo de uma família em que a Educação era assunto corrente, era filho e neto de professores primários, seguiu carreira na área do ensino: primeiro, professor municipal e, mais tarde, do Ensino Superior. Em 1941, formou-se em Ciências e Letras e, em  1948, em Direito. Obteve o título de doutorado em Geografia em 1958, pela Universidade de Estraburgo, na França. Com o golpe de 1964, foi preso na ditadura, exilando-se na França. É reconhecido internacionalmente pela contribuição às reflexões sobre urbanização e globalização de países menos desenvolvidos, como Brasil e publicou inúmeros livros com suas reflexões sobre o tema. A quantidade de honrarias com as quais ele foi premiado dão a dimensão da importância desse pensador preto para o Brasil e o mundo: doze universidades brasileiras e sete universidades estrangeiras lhe outorgaram o título de Doutor Honoris Causa e ele foi o único não anglo-saxão (e brasileiro) a ganhar o “Nobel da Geografia”, o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud.

Conheça melhor a história desse homem que marcou a história aqui e aqui.

Antonieta Barros (1901-1952), professora e primeira deputada negra

Natural de Lages (SC), Antonieta era filha de uma lavadeira e, com muito sacrifício e ajuda financeira de amigos, formou-se em Magistério (na Escola  Normal) em 1921. Foi professora da Educação Básica, cronista em jornais do sul do País, onde defendia a importância da Educação para o desenvolvimento das pessoas mais vulneráveis, e foi destaque como a primeira deputada estadual negra. Também é conhecida por ter, em seu mandato, criado o Dia do Professor. Em seus escritos e falas já destacava a Educação como raiz do progresso do Brasil, o apelo por Educação para os mais pobres.

Conheça melhor a história dessa mulher que marcou a história aqui.

Jeferson Tenório, escritor, professor e mestre em literatura

Consciência Negra: Milton Santons, Jeferson Tenório... que tal ampliar seu conhecimento sobre personalidades negras? O Todos listou algumas!Carioca, mas radicado gaúcho, o escritor Jeferson Tenório é mestre e professor de Literatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo um dos primeiros estudantes a se formar na instituição por meio da política afirmativa de cotas para afrodescendentes. Mas essa história não começou assim. Filho de mãe cartomante (inspiração de um de seus personagens), Jeferson viveu e cresceu nas periferias metropolitanas de Porto Alegre. Quando jovem, ele  não imaginava que iria para a faculdade algum dia, muito menos seria um escritor laureado no meio literário, ao lado de escritores que, para ele, estava de se equiparar. Anos depois,  ganhou diversas premiações literárias, campo em que se destaca ao tratar sobre juventude a as feridas raciais que atravessam a experiência negra. 

Acompanhe o que Jeferson pensa no Instagram do escritor, aqui.


Outros expoentes negros

Não conhece os grandes expoentes negros brasileiros? Então confira os sites que se dedicam a manter viva a memória e espalhar os feitos de de grandes nomes negros do Brasil. Divulgue e dê visibilidade a esses brasileiros e brasileiras que romperam e rompem, até hoje, barreiras em diversas áreas. 

Museu Afro Brasil

Projeto A cor da cultura 

Geledés – Diáspora Africana


Como mudar esse cenário? Com Educação Já!

O Brasil só será melhor para todas e todos quanto for um País mais equitativo. E promover a equidade passa, em grande medida, por Educação Básica de qualidade. Fazer avançar a qualidade da Educação Infantil e dos Ensino Fundamental e Médio são o foco do Todos Pela Educação, e fazer isso com foco na redução das desigualdades está expresso nas políticas públicas que defendemos e nas propostas que elaboramos no âmbito da iniciativa Educação Já. Quer ser parte dessa causa e levar o debate à rede de ensino de sua região? Então conheça a iniciativa Educação Já!.

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