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Perguntas e Respostas: Por que participar do Enem?

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Você sabe o que está em jogo quando se trata do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)? Para começo de conversa, ao contrário do que muita gente possa pensar, não são, infelizmente, todos os estudantes do 3° ano do Ensino Médio que prestam o Enem, pois a prova é facultativa, isto é, não é obrigatória, os alunos escolhem participar ou não e um grande contingente ainda não participa. No Enem de 2018, por exemplo, sete em cada 10 alunos do Ensino Médio que se formariam naquele ano não participaram do exame. Se não é obrigatória por que se submeter ao exame? Os motivos são muitos e vão desde ajudar a aprimorar a Educação Básica, passando por autoavaliar como está seu conhecimento para enfrentar os desafios da vida até entrar em uma universidade. Agora parece mais interessante, não?

+SAIBA MAIS: ENEM ADIADO – MEDIDA VEIO ATRASADA E INCOMPLETA – O QUE PREJUDICA OS ESTUDANTES BRASILEIROS

Se você está na dúvida se entra ou não para o grupo de participantes do Enem ou nem imagina o que fazer com os resultados, a gente conta para você. Vamos lá:

O que é o Enem?
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma avaliação em larga escala realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) desde 1998. Prestar a prova é opcional e isso explica porque nem todos os estudantes do 3° ano do Ensino Médio fazem o exame. Hoje, podem se inscrever alunos dos 1º e 2° anos do Ensino Médio, como “treineiros”; alunos do 3° ano do Ensino Médio e pessoas que já terminaram a Educação Básica. Você, aluno com deficiência ou outras especificidades (mães ou sabatistas, por exemplo), também é bem-vindo – basta solicitar atendimentos especializados na hora da inscrição.

Enem digital?
Sim, neste ano, os estudantes que estão concuindo o Ensino Médio em 2020 poderão optar por fazer o exame em formato digital ou impresso em papel. Para isso, é importante sinalizar na hora da inscrição qual modelo é o escolhido. Mas atenção, por ainda ser uma iniciativa em teste, há uma série de restrições ao Enem Digital, como limitações de vagas pos Estados e Municípios. Portanto acesse ao portal e leia todas as especificações!

O que significa “avaliação em larga escala”?
Uma avaliação em larga escala é aplicada por um órgão externo à escola (por isso também é conhecida como avaliação externa). Esse tipo de avaliação tem por objetivo checar de maneira uniforme a aprendizagem comum de um grupo amplo de alunos. Para tanto, ela envolve testes padronizados a fim de permitir a comparação de resultados ao longo do tempo e entre unidades/redes de ensino. No caso do Enem, a importância de uma avaliação dessa natureza é averiguar as competências dos alunos brasileiros ao final dos 12 anos de estudos.

No entanto, o exame não é realizado por 100% dos estudantes do 3° ano do Ensino Médio, o que impede que a prova seja uma avaliação de aprendizagem eficiente para medir o nível de proficiência da etapa.

O que é avaliado na prova?
O Enem é dividido em quatro áreas do conhecimento: 1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 2. Ciências Humanas e suas Tecnologias; 3. Ciências da Natureza e suas Tecnologias; 4. Matemática e suas Tecnologias. Cada uma tem 45 questões. Além disso, o exame conta com uma redação sobre algum tema da atualidade que exija reflexão crítica em no máximo 30 linhas.

O que são competências? As disciplinas que aprendi na escola não são avaliadas?
O formato atual do Enem privilegia a interdisciplinaridade. Por isso, o exame é separado em áreas, e não em disciplinas. Quando se fala em Linguagens e suas Tecnologias, por exemplo, trata-se não apenas de saber essa ou aquela regra gramatical prevista no conteúdo da Língua Portuguesa, mas de saber utilizá-la em diferentes contextos sociais. Além disso, a área de linguagens não diz respeito apenas à linguagem escrita e seus códigos, há também os símbolos artísticos, científicos, entre outros. Essa lógica se aplica às demais áreas de conhecimento. Assim, as competências que se esperam dos estudantes (contidas na matriz de referência do exame) nada mais são do que “saber aplicar ou usar o conhecimento teórico na resolução de problemas complexos”, como ocorre no mundo real. Os conhecimentos aprendidos nas disciplinas escolares devem ser, portanto, combinados para resolver as questões que aparecem no Enem.

Para que serve fazer o Enem? Devo fazer no último ano do Ensino Médio ou deixar para depois?
Finalmente, a pergunta que não quer calar, especialmente em uma ano como o de 2020, em que o ano letivo foi embaralhado pela pandemia do novo coronavírus. Inicialmente, o Enem foi criado para que gestores públicos e sociedade conhecessem o desempenho dos alunos no final da trajetória escolar e, consequentemente, pudessem elaborar políticas públicas. Porém, para atingir tal finalidade com maior precisão, seria fundamental que todos os estudantes concluintes do Ensino Médio fizessem o exame. Para uma avaliação mais precisa da aprendizagem dos estudantes da etapa, desde 2017, estudantes do 3° ano participam também do  Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que avalia as disciplinas de português e matemática. Como o exame é censitário, ou seja, com a participação de todos os estudantes da etapa, a radiografia da etapa se torna mais completa.

Nos últimos anos, o caráter que a prova tem assumido é o de porta de entrada para as universidades. A mudança ocorreu em 2009. Veja quais são as possibilidades para o uso da nota do exame e fique atento às datas de inscrições dos programas.

– Acesso ao Ensino Superior: a nota obtida na prova pode ser utilizada tanto como vestibular (por exemplo, no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para a entrada em instituições superior federais), como para compor parte das notas de vestibular (por exemplo, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ou para conseguir bolsas de estudo por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni).
– Permanência no Ensino Superior: a nota do Enem também é usada para garantir financiamento das mensalidades de instituições privadas por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
–  Autoavaliação do conhecimento: Se você está no 2º ano do Ensino Médio e pensa em fazer o Enem, você poderá utilizar a avaliação para avaliar seu autoconhecimento em relação às competências pedidas e se aplicar às áreas de maior desafio no último ano da etapa.

E para que a prova NÃO serve?
Desde 2017, o Enem não é mais utilizado para a certificação de conclusão do Ensino Médio. Para quem não teve a oportunidade de cursar a etapa na idade adequada, o indicado é estudar na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, então, prestar o exame Exame Nacional para Certificação de Competência de Jovens e Adultos (Encceja).

O Enem também não serve como ranking para classificar melhores e piores escolas. Isso porque as instituições escolares com alunos vindos de realidades distintas apresentará resultados diferentes. O ranqueamento induz ao erro e serve para esconder distinções como ensino integral x parcial; grande x pouco número de alunos inscritos na prova; alto x baixo nível socioeconômico dos estudantes, etc. Ao utilizar os resultados do Enem para selecionar uma escola, os pais podem escolher equivocadamente.

A pessoa e/ou a escola que não prestam Enem são penalizados?
Não. A prova é facultativa.

Mas se ninguém é penalizado, não perderei tempo fazendo o exame?
De maneira alguma. No mínimo, os estudantes que realizam a prova ganham a oportunidade de fazer uma autoavaliação que fornece informações sobre o que aprenderam, como destacado acima. Por que isso é importante? Porque tais informações, sobre no que os jovens têm maiores dificuldades, auxiliam os gestores educacionais e professores a repensarem as políticas de recuperação e novas metodologias de ensino: não seria legal se o método de ensino pudesse ser mais dinâmico e alinhado às novidades da juventude? Além disso, as competências trabalhadas na escola são  importantes para a cidadania e uma vida produtiva fora da escola (como a interpretação de textos, por exemplo, ou o uso da matemática em problemas cotidianos).

Posso confiar nessa prova? Ela é bem feita?
Responsável há 20 anos por desenvolver as questões e aplicar a prova, o Inep minimiza ao máximo os perigos relativos a vazamento de informações e qualidade do exame. As questões são elaboradas com rigor técnico para integrar um banco de perguntas – o Banco Nacional de Itens (BNI), que é abastecido e acionado a cada edição. De acordo com essa dinâmica, um número mínimo de pessoas sabe quais tópicos serão tratados em cada prova. Trata-se de um longo e imparcial processo que se inicia muito antes de cada edição, envolvendo muitos especialistas nos conteúdos a serem abordados que aprovam e testam os itens a serem usados no Enem.

Além disso, a segurança do Enem é uma preocupação constante e pouquíssimas pessoas têm acesso ao exame.

A correção também é confiável?
Sim. Desde 2009, a realização e a correção do exame levam em conta a calibragem das respostas em uma régua de questões fáceis, médias e difíceis. Por meio de um cálculo matemático, o Inep contabiliza não apenas a quantidade de acertos do candidato, como também o nível de dificuldade (questões mais fáceis valem menos, por exemplo) e se houve “chute” ou não (um “chute” vale menos). Tudo isso conta na hora de atribuir a nota final, além de tornar os resultados comparáveis. Ou seja: a nota na prova não é apenas a soma dos acertos do candidato – é bem mais complexo que isso!

A inscrição é cara. Posso fazer de graça?
Depende. Para estudantes de escolas públicas do 3º ano do Ensino Médio a inscrição é automaticamente GRATUITA desde a edição de 2018. Para os demais candidatos que, porventura, não tenham condições de pagar, é necessário requerer isenção e justificar o motivo do pedido. Confira a Lei de Isenção nos vestibulares, aprovada em 2013. Viu só? Não tem desculpa para ficar de fora da avaliação.

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