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“A crise de aprendizagem não é só nacional, mas global”

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O mundo passa por crises de diversos tipos, mas uma delas merece atenção especial: a crise de aprendizagem. Em todo o planeta, ​​crianças e jovens matriculadas nas escolas não estão aprendendo e acabam concluindo os estudos sem ter conhecimentos básicos de leitura e matemática. O diagnóstico faz parte do Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2018, divulgado pelo Banco Mundial, o primeiro do órgão dedicado integralmente ao tema educacional. Os resultados do documento foram debatidos na manhã desta segunda-feira (24) durante o Educação 360, um encontro internacional de Educação realizado pelos jornais O Globo e Extra, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ), com o apoio do Todos Pela Educação. Participaram desta conversa o economista do Banco Mundial David Evans, César Callegari, presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), com mediação de Antônio Góis.

O que se ouviu durante o debate combina com a situação da aprendizagem nas unidades brasileiras de ensino, onde os dados mais recentes das avaliações nacionais, como os do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), mostram – mais uma vez – que temos um quadro grave no que diz respeito à proficiência dos nossos estudantes.

+Saeb 2017: o que diz a última avaliação de aprendizagem do país

O relatório do Banco Mundial mostra, por exemplo, que​ em​ países como Quênia, Tanzânia e Uganda, 75% dos alunos matriculados na série equivalente ao 3º ano do Ensino Fundamental não sabem resolver uma questão simples como responder à pergunta “Qual o nome do cachorro?”, após serem apresentados à frase “O nome do cachorro é Totó”. Na área rural da Índia, acontece situação semelhante: 48% dos alunos e alunas do 5º ano não conseguem resolver uma subtração de dois dígitos como 46-17, cujo resultado é 29.

Para Evans, os dados do relatório mostram que o potencial da Educação não está se realizando. “A Educação tem impacto na saúde, empregabilidade, salários, redução da pobreza e crescimento econômico, além de promover a resiliência, adaptabilidade, coesão social e participação cívica da população”, explicou. “Mesmo que ela não resolva tudo sozinha, é possível realizar muito mais do que estamos fazendo agora. Precisamos aprender sobre aprendizagem.”

O economista lembrou também que a escolarização não é sinônimo de aprendizagem: ou seja, não basta estar na escola. “Nunca tivemos tantas crianças matriculadas no mundo. É um número sem precedentes. Mas mesmo em países de renda médio-alta e médio-baixa muitas crianças não estão aprendendo”, explica ele, ressaltando que essa não é uma questão apenas para os países muito pobres.

Por que não avançamos?
Para Evans, os problemas de aprendizagem ao redor do mundo persistem por dois motivos: a complexidade técnica da Educação (ou seja, não é uma questão simples, mas que necessita do bom funcionamento de vários elementos em conjunto); e também pela falta de incentivos políticos (os interesses dos atores educacionais nem sempre são compatíveis).

Segundo ele, os sistemas educacionais ao redor do mundo precisariam de um conjunto de medidas para poder avançar. Entre eles:

– Basear suas reformas em evidências para conseguir intervir de maneira adequada;
– Observar oportunidades para mudanças estratégicas, com indicadores e informação pública para que a sociedade possa cobrar o direito de aprender;
– Criar coalizões e incentivos, onde governos trabalhem com setores da sociedade em prol da aprendizagem;
– E priorizar a inovação e a adaptação, transformando práticas reconhecidas para as necessidades locais dos sistemas de ensino.

“No Brasil, temos teses e evidências suficientes sobre a Educação, mas precisamos assegurar que os resultados auxiliem de fato os processos de aprendizagem”, apontou Evans.

Educação Já
De acordo com Cesar Callegari, a Educação deveria ser uma obsessão no País. “O Brasil aproxima-se da universalização do Ensino Fundamental, mas ainda falha redondamente na garantia à alfabetização no momento em que a criança tem o direito de ser alfabetizada. Estamos condenando essas crianças a uma espécie de cidadania de segunda classe”.

Ele também citou, como exemplo de coalizão a favor da Educação, a iniciativa Educação Já, liderada pelo Todos Pela Educação. “Participo do movimento Todos Pela Educação e eles produziram um documento com diagnóstico sério da Educação brasileira, dando indicações sólidas para os próximos candidatos aos cargos de governo nessas eleições”, explicou, acrescentando que o documento não serve apenas para candidatos, mas para todos que querem cobrar o direito à Educação de qualidade.

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1 Comentário para “ “A crise de aprendizagem não é só nacional, mas global””

  1. Em minha opinião como historiador a educacao devia levada de forma séria por nossos governantes.Porque tem ser ensinada nas escolas com mais responsabilidade e amor por nossos educadores.Porque a qualidade do ensino refletirá na vida do aluno mais para frente.Educacao e tudo e o meio que transforma a sociedade e a transforma mais humanitária e menos arrogante.