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Participamos de evento da Conectando Saberes: por que as políticas públicas não chegam às salas de aula?

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Painel organizado pela Conectando Saberes trouxe especialistas discutindo o assunto

Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, participou de painel em 12/05, organizado pela Conectando Saberes, rede de 900 professores espalhados em 89 núcleos de Ensino pelo País, apoiada pela Fundação Lemann. O tema central foi Educação pública e qualidade, para uma audiência de docentes, gestores escolares, secretários(as) de Educação, colaboradores das Secretarias, profissionais do terceiro setor – além dos professores e gestores da rede Conectando Saberes. 

Com mediação do Professor Luis Felipe Nóbrega, coordenador do Conectando Saberes em Volta Redonda (RJ), e participação do presidente da União Nacional de Dirigentes da Educação (Undime), Luiz Miguel, e do secretário municipal de Educação e Esporte de Caruaru (PE), João Cêpa, o tema central foi o porquê das políticas públicas não chegarem às salas de aula. De acordo com Priscila Cruz, há três participações fundamentais para que as políticas públicas sejam bem sucedidas: 

1ª: participação dos agentes de implementação no diagnóstico, formulação, desenho da política pública e no seu aprimoramento constante. Até a implementação das políticas educacionais há muitas pessoas envolvidas, e cada uma delas, em tese, pode barrar ou discordar de um processo. Por isso é necessário o engajamento de todos – para que o gestor público seja mais assertivo nas políticas, com uma implementação fluida ao longo de toda a sua cadeia para que ela chegue inteira à sala de aula. Priscila lembrou que há políticas bem intencionadas que fracassam por falta de engajamento, lembrando que, na Educação,  o professor é o implementador de todas as políticas. Por isso, os professores precisam ser ouvidos, engajados, acolhidos. 

2ª: participação de outros agentes de implementação que podem, eventualmente, barrar a sua implementação. Importante a pactuação prévia com todos eles, como por exemplo sistema de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, magistratura, conselhos e fóruns, que devem estar envolvidos para apoiar e esclarecer os melhores caminhos. Exemplo: atualmente vemos a judicialização dos processos educacionais na questão da abertura e fechamento das escolas, e isso sendo decidido por meio de liminares.

 3ª: participação da sociedade civil para que haja adesão às políticas. Todas as saídas para a Educação passam pela participação de agentes, e a da sociedade é fundamental para que as políticas tenham adesão, lembrando que essa comunidade é composta pelas famílias e alunos engajados. 

Priscila Cruz concluiu que essa é uma tarefa difícil para uma única pessoa, um gestor público precisa ter na sua equipe pessoas com competências complementares: técnica,  negociação, articulação, planejamento, visão, empatia e capacidade de criar conexões fortes. “Uma gestão pública precisa reunir tudo isso para que essas três participações acima aconteçam e aí sim as políticas públicas cheguem inteiras às salas de aula”. 

O painel reforçou ainda a troca de informações sobre o papel dos professores na construção das políticas públicas, formação de docentes e Educação continuada. Assista ao painel abaixo:

A Conectando Saberes usou como ponto de partida para o evento os resultados da pesquisa Vozes Docentes, levantamento que reuniu 8.786 respostas de professores da rede municipal de Ensino em 92 cidades brasileiras e mapeou as prioridades da Educação a partir da visão dos docentes.